Foi exatamente assim que me vi.
Eu era um dos três porquinhos que enquanto o lobo não vinha, vivia um dia de cada vez, pensando em uma estratégia para quando ele chegasse.
Por incrível que pareça, o seu lobo nunca chegava e eu, na minha zona de conforto, preferi ficar no conforto, mesmo temendo por sua chegada.
Um dia, diante da estrada cheia de flores, árvores frutíferas, aves coloridas e um sol maravilhoso, senti algo estranho atrás de mim.
Eu olhei, olhei e não vi nada, porém sentia que havia olhos me olhando.
Desconfortável, acreditei que o melhor a fazer, era retornar e me abrigar na minha casinha de tijolos, toda forte e indestrutível. Ledo engano.
Ao retornar, no caminho, sentia algo muito ruim dentro de mim. Preferi observar cada detalhe do caminho e pelo faro que só eu tenho, senti um cheiro forte de lobo.
O que eu fiz?
Retornei rapidamente para minha fortaleza e ao chegar lá, não havia pedra sobre pedra. Tudo destruído.
Pensei: vou correr para a casinha da mamãe. Lá, com certeza, não haveria perigo, mas esqueci que mamãe estava doente e que não poderia me ajudar.
Me vi sozinha.
Meus irmãos, com certeza estavam se divertindo por ai.
Resolvi então usar os dons da sabedoria e me enfiei na lama. Sim, exatamente, na lama.
Lá retornei às minhas origens, me lambuzei de tanto mergulhar naquele barro denso.
O perigo já não existia. Me senti bem. Acredito que a lama tenha disfarçado meu odor e o lobo não me encontrou.
Sei que ele ronda, sei que ele vai voltar, porém eu não vou desistir.
Tenho força de vontade, tenho garra, tenho foco e fé.
Retornar para casa foi um grande erro. Poderia ter mergulhado no rio, poderia ter subido em árvores, poderia ter feito muita coisa, porém retornar para a minha fortaleza não foi uma boa ideia.
Agora, irei arregaçar as mangas e construir tudo de novo, afinal o lobo não vem todos os dias...